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Teto e limites do MEI

Como controlar o faturamento do MEI sem se perder

Como eu sei quanto já faturei no MEI?

4 min de leituraatualizado em 29 de agosto de 2026


Resposta curta

Controlar o faturamento do MEI é uma rotina de três números por mês. Feita com constância, ela mostra o limite chegando com meses de antecedência — não em dezembro.

O controle de faturamento do MEI não exige sistema caro nem conhecimento contábil. Exige constância. Uma rotina simples, repetida todo mês, resolve o que uma planilha complexa abandonada em março não resolve.

O número que importa é o bruto

O ponto de partida é entender o que se conta. O limite do MEI é medido pelo — tudo o que a atividade recebeu pela venda de produtos ou prestação de serviços.

Não é o lucro. Não é o que sobrou depois de pagar fornecedor, combustível e o próprio pró-labore. É a receita bruta, antes de qualquer desconto de despesa.

Essa distinção derruba muita gente: quem tem margem apertada fatura muito e lucra pouco, e ainda assim é o faturamento que conta para o teto.

A rotina de três números

Feche todo mês com três valores:

  1. Quanto entrou — o total recebido pela atividade no mês.
  2. Quanto foi cancelado ou devolvido — vendas desfeitas reduzem a receita.
  3. Quanto ficou pendente — o que foi vendido mas ainda não foi recebido.

O terceiro número não entra no teto agora, mas evita surpresa: uma venda parcelada que cai nos próximos meses já está comprometida.

Some o líquido dos meses anteriores e compare com o . Cinco minutos por mês.

O que não é receita da atividade

Um dos erros mais comuns é inflar o próprio faturamento contando o que não deveria entrar:

  • Transferência entre suas próprias contas — tirar do PIX e pôr na poupança não é venda.
  • Empréstimo recebido, seja de banco ou de terceiro.
  • Reembolso de despesa que você adiantou por conta do cliente.
  • Aporte pessoal que você colocou no negócio.
  • Estorno de compra que você mesmo fez.

Quando houver dúvida sobre a natureza de um valor, registre a origem no momento em que ele entra. Reconstituir isso seis meses depois, olhando extrato, é penoso e pouco confiável.

O limite do primeiro ano é proporcional

Quem abre o MEI no meio do ano não tem os R$ 81.000 inteiros disponíveis. O limite é proporcional aos meses de atividade, contados a partir do mês da abertura.

Na prática: abrindo em julho, sobram seis meses de atividade no ano-calendário, e o teto proporcional é calculado sobre esse período. Faturar R$ 50.000 em seis meses pode já significar excesso, ainda que esteja bem abaixo do limite anual cheio.

Esse é um dos pontos que mais pega quem começa bem: o negócio decola, o dono compara com os R$ 81.000 e acha que tem folga que não tem.

Separe as contas

A medida que mais melhora o controle não é uma planilha melhor — é uma conta bancária só da atividade.

Misturar conta pessoal e conta do CNPJ transforma cada fechamento em trabalho de arqueologia. Com contas separadas, o extrato do mês já é quase o relatório de faturamento.

Guarde os documentos

Mantenha, organizados por mês:

  • Notas fiscais emitidas.
  • Recibos e comprovantes de recebimento.
  • Relatórios das plataformas de pagamento que você usa.
  • Registro das devoluções e cancelamentos.

O MEI também deve manter o relatório mensal de receitas, com o total do mês e os documentos de suporte. Esse relatório é a base da declaração anual — quem o mantém em dia atravessa a DASN-SIMEI em minutos.

Ferramentas que bastam

Não é preciso software de gestão para fazer isso direito. O que funciona, em ordem de esforço:

  1. Uma conta bancária separada para a atividade. Resolve metade do problema sozinha.
  2. Uma planilha com quatro colunas: data, descrição, valor, tipo (venda, devolução, não-receita).
  3. Uma pasta por mês — física ou digital — com notas e comprovantes.
  4. Um lembrete mensal para fechar o mês. Cinco minutos, sempre no mesmo dia.

A ferramenta importa menos do que a constância. Uma planilha preenchida todo mês vale mais do que um sistema completo abandonado em março.

Marque o alerta antes do limite

Esperar chegar a 100% para reagir é tarde. Quando o acumulado passar de 70% do teto, já vale:

  • Projetar o restante do ano com base na média dos últimos meses.
  • Conversar com um contador sobre o cenário de desenquadramento, antes que ele seja fato consumado.
  • Avaliar se faz sentido planejar a transição de regime com calma.

A diferença entre planejar a mudança e reagir a ela costuma ser de milhares de reais.

Em resumo

Três números por mês, contas separadas, documentos guardados e um alerta em 70%. É o suficiente para que o teto nunca seja uma surpresa.

O limite e as regras do MEI podem mudar — use o Portal do Empreendedor como referência atual. O Radar Fiscal serve como apoio de organização e alerta de prazo, não como substituto de uma análise profissional.

Fonte oficial: Portal do Empreendedor — Direitos e Obrigações: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor/quero-ser-mei/direitos-e-obrigacoes

Conteúdo jornalístico e informativo. Não é consultoria jurídica, contábil ou tributária: confira a fonte oficial citada e procure um profissional quando a decisão depender do seu caso concreto.

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